Hailey Bieber estampa a capa da Vogue em uma edição que revela, com profundidade, sua jornada recente como mãe. Na entrevista, ela relata as complicações pós-parto que enfrentou, incluindo uma hemorragia grave, e compartilha como o nascimento de seu filho Jack impactou sua saúde física, emocional e rotina pessoal. A matéria aborda temas como o processo de recuperação, mudanças corporais, saúde mental, e os desafios de lidar com a exposição pública durante esse período.
O ensaio fotográfico que acompanha a reportagem traz Hailey vestindo peças de grifes como Jade Swim, Ralph Lauren Collection, Saint Laurent por Anthony Vaccarello, Bottega Veneta, Hermès, Balenciaga e Chloé, entre outras. O cabelo foi assinado por James Pecis, a maquiagem por Hannah Murray, e o styling ficou a cargo de um time de produção liderado pela AP Studio, com design de set de Colin Donahue e ajustes de alfaiataria por Gayane Mnatsakanyan.
A matéria oferece um panorama direto e revelador sobre os bastidores da maternidade vivida sob os olhos do público, e como Hailey Bieber tem lidado com as mudanças em sua vida pessoal e profissional após o nascimento do filho. Confira a tradução na íntegra.
A fila começa na esquina. Ela se estende por entre uma cerca viva e desce a Melrose, cheia de jovens animadas usando jeans largos e baby tees, coques baixos com risca central, lábios brilhantes e unhas perfeitas em formato amendoado, todas esperando pacientemente que as portas do pop-up da Rhode em Los Angeles se abram e as deixem entrar. É uma manhã quente de fevereiro, e algumas estão ali há horas, na esperança de chegar um pouco mais perto de Hailey Bieber, a inspiração por trás de tendências de beleza como “clean girl”, “vanilla girl” e “strawberry girl” (a temática comestível continua com “pele de donut glaceado”, “maquiagem latte”, “lábios glaceados de brownie” e “cabelo de manteiga de biscoito com canela”). Cerca de 9.000 pessoas aparecerão ali ao longo de seis dias para comprar os cremes de pele, bálsamos faciais, gloss labial da Rhode (ou os porta-celulares ultra-instagramáveis), mas, na verdade, vieram pela modelo que virou empresária e idealizou tudo isso.
O que há de tão especial em Hailey Bieber? O que faz com que seus fãs parem essa mulher de 28 anos nas ruas, desenhem sardas no rosto como as dela e esperem em filas para comprar seu smoothie de US$ 20 em colaboração com a Erewhon? O que leva outras pessoas a se fixarem em seus defeitos nos comentários online ou mesmo, como ela me contará depois, a segui-la e ofendê-la nas ruas? Para os primeiros, é o carisma palpável dela, sua gentileza, seu estilo com nostalgia dos anos 90, sua beleza aparentemente natural e a vida encantada que leva como a dedicada Sra. Justin Bieber. Pelo que pude perceber após várias horas perigosas online, seus críticos acreditam que ela executou um plano maligno para prender seu astro pop favorito de infância em um casamento e afastá-lo de seu “amor verdadeiro”, que seria, segundo eles, sua namorada dos 16 anos, Selena Gomez. Como acontece com a maioria das notícias sobre celebridades — ou com as notícias em geral —, a versão negativa costuma ganhar mais atenção; desastres e vilões vendem.
Quando encontro Hailey Bieber em março, para almoçar em uma delicatessen aconchegante de bairro em Los Angeles que ela e Justin frequentam, as manchetes da semana afirmam que eles estão se mudando para a Europa por causa da saúde mental de Justin; que estão em “crise”; que ele está “maníaco”, “alheio e desgrenhado”, estranho e em declínio; e que ela está planejando uma ação legal contra o criador de um vídeo cheio de imprecisões que supostamente fez uma análise estilo Zapruder de sua atividade digital pré-adolescente cruzando com aparições de Justin Bieber em shows. (Também circulam rumores de que influenciadores são pagos para se juntar ao ataque.)
Rhode foi uma ideia que surgiu na época da COVID, ela me conta, mas tinha raízes profundas. Ela usou seu nome do meio — um nome de família do lado materno — como referência à mulher que lhe ensinou a importância do cuidado com a pele. Seria uma marca direto ao consumidor — sem intermediários — e o produto acabou sendo melhor do que qualquer um esperava: fórmulas limpas e básicas em embalagens bonitas e minimalistas, com um preço acessível. “Acho que, por ter trabalhado com tantos maquiadores diferentes e testado vários profissionais de cuidados faciais, esteticistas, todo tipo de gente”, ela diz, “percebi que não é preciso muito para ter uma boa rotina, e que cuidados com a pele não precisam ser complicados para serem eficazes.”
Hailey adora uma rotina. Ela valoriza a preparação e faz pesquisas. Posso confirmar que ela dorme com camadas de produtos (o famoso visual “glazed donut”) e parece realmente interessada em saber o que você usa na pele e por quê. “A razão número um para o sucesso da Rhode é a Hailey”, diz Lauren Ratner, presidente da marca. “Acho que o consumidor de hoje é muito inteligente e entende o que é autenticidade.” Essa autenticidade impulsionou a impressionante expansão da marca. A Rhode não divulga números, mas a Reuters e a Business of Fashion relataram em abril que Hailey estaria explorando a venda da empresa e que a marca poderia ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão. Esse crescimento teve o efeito de elevá-la de esposa de uma pessoa muito famosa e bem-sucedida a uma pessoa muito famosa e bem-sucedida por mérito próprio — como passar de coadjuvante a protagonista. Ela já havia sido modelo, amiga de outras filhas famosas e bonitas de celebridades, se casou com um astro pop, apareceu em campanhas de moda, claro, mas depois da Rhode passou a ser tudo isso e uma empresária séria — uma força relevante na indústria da beleza. “Jamais imaginei ou esperei que isso se tornasse o que se tornou”, ela diz sobre a Rhode, que iniciará uma parceria com a gigante do varejo Sephora neste outono, com lançamentos nas lojas dos EUA, Canadá e, depois, Reino Unido. “Nos meus sonhos mais loucos, já foi além de tudo o que eu poderia ter esperado.”
Sobre o crescimento da Rhode, a linha de beleza e cuidados com a pele que ela lançou em 2022, Bieber diz: “Nos meus sonhos mais loucos, já foi além do que eu poderia ter imaginado.” Jaqueta Versace.
Quando Justin anunciou em 2022 que faria uma pausa na carreira musical e deixaria de fazer turnês ou se apresentar (com raras exceções) para focar na própria saúde, foi a Rhode que os manteve em evidência. Lá estava ele, alguns passos atrás dela no lançamento em Nova York de uma edição limitada de tratamento labial com a Krispy Kreme, ou postando no Instagram direto de um evento da Rhode em Los Angeles (ele usando roupas largas de streetwear, ela com silhuetas justas ao corpo). O equilíbrio, ao que parecia, havia mudado: ele se tornou, de certa forma, o coadjuvante dela. E então, em agosto do ano passado, eles se tornaram pais — e isso virou o mundo deles de cabeça para baixo.
Hailey, hoje com 28 anos, sempre soube que queria ter filhos — ela pensava que já teria mais de um a essa altura. Ela viu sua irmã mais velha ter uma menina em 2020 e se lembra da empolgação intensa ao saber da notícia. Mas, para ela, o momento ainda não era o certo, diz. “Eu não estava preparada para isso de forma alguma… Agora eu só penso que isso acontece com cada pessoa exatamente quando tem que acontecer. Eu realmente, realmente, realmente acredito nisso.” A gravidez a transformou de formas físicas óbvias, o que não a incomodou: ela estava ativa e saudável, com treinadores à disposição, e depois de um período de enjoo matinal, sentir uma nova vida crescendo parecia um milagre todos os dias. Mas ela se surpreendeu com a forma como isso mudou sua relação consigo mesma e com o mundo ao seu redor.
“A gravidez foi difícil para eu assimilar. Foi uma surpresa, e você passa por muitas emoções”, diz Hailey. “Existem alguns avisos: sua vida nunca mais vai ser a mesma. Ela muda para melhor, mas não vai ser igual. Você nunca mais será apenas um indivíduo sem filho. E nunca mais serão só você e seu parceiro, apenas os dois. Foi muito para mim mentalmente.” O que a assusta, ela diz, é o inesperado — e desde os primeiros momentos, a maternidade foi cheia disso.
“Dar à luz foi a coisa mais difícil que já fiz na vida”, diz ela, apesar de ter passado nove meses se preparando com dedicação. Exercícios respiratórios, acupuntura, yoga, fisioterapia pélvica, treinos, caminhadas, musculação: “Eu estava com tudo em cima. Estava fazendo de tudo. Nunca me senti tão forte fisicamente.” Mas o parto espontâneo que ela esperava não aconteceu. Com 39 semanas, ela começou a perder líquido amniótico e foi induzida. Os médicos usaram Pitocina (medicação que provoca contrações) e o balão de Foley (um dispositivo semelhante a um cateter inserido no útero e inflado com soro para ajudar a dilatar o colo do útero) — uma combinação conhecida por ser desconfortável. “Aquilo foi muito insano. Nada divertido. Eles romperam minha bolsa. Entrei em trabalho de parto e fiquei algumas horas em trabalho de parto. Sem anestesia, nada.” Foram 18 horas do início ao fim — felizmente, menos do que as 24 horas estimadas — e então ele chegou, com pouco mais de três quilos: Jack Blues Bieber, o glorioso menino dos seus sonhos, cuja presença ela já sentia há meses.
Mas ela ainda estava sangrando — muito. A hemorragia pós-parto acontece em cerca de 1 a 5% dos partos e, se não for tratada rapidamente, pode levar a choque hipovolêmico (quando o volume de sangue diminui tanto que o corpo não consegue receber oxigênio suficiente), falência de órgãos e até a morte. “O que foi um pouco assustador”, ela relata calmamente, beliscando o bacon — e não é a primeira vez, durante nossa conversa, que me lembro de quantas vezes Justin a descreveu como uma força estabilizadora e centrada em um mundo frequentemente caótico e imprevisível. (“Já fiz muitas besteiras na vida,” ele me escreve por e-mail, “mas a coisa mais inteligente que já fiz foi me casar com a Hailey.”) “Confio minha vida à minha médica”, diz Hailey. “E por isso eu tinha paz, sabia que ela jamais deixaria algo acontecer comigo. Mas eu estava sangrando muito, e pessoas morrem assim, e esse pensamento passa pela sua cabeça.”
“O pós-parto é o momento mais sensível que já vivi. E ter que passar por isso enquanto entrava na internet todos os dias… Eu não consigo nem começar a explicar.”
Os médicos tentaram diferentes medicamentos para coagular o sangue dela, mas nada funcionava. Seu recém-nascido foi levado às pressas. “Você começa a ficar meio apavorada”, diz ela. Mesmo nos melhores hospitais, uma emergência médica pode fazer o paciente se sentir como um problema a ser resolvido às pressas. Ela se lembrou do pior dia da sua vida: durante um café da manhã com Justin em Palm Springs em 2022, ela sofreu um ataque isquêmico transitório, ou “miniderrame”. (Mais tarde descobriu-se que a causa era um coágulo sanguíneo vindo de um forame oval patente — PFO — não diagnosticado, um pequeno orifício entre as duas câmaras superiores do coração. Ela perdeu brevemente o controle do rosto e a capacidade de falar, sendo hospitalizada e depois passando por uma cirurgia para corrigir o problema.) Na sala de parto, os médicos inseriram um dispositivo chamado Jada, um tipo de aspirador que induz contrações uterinas. Doía, e ninguém podia garantir que aquilo resolveria o sangramento, mas ela precisou suportar o tratamento por horas. “Eu só queria segurar meu bebê. Queria estar com ele”, diz ela sobre esse período de espera angustiante até que enfim estivesse fora de perigo.
Ela nunca contou essa história completa antes, pelo menos não publicamente. O parto costuma ser descrito como algo natural, fácil, intuitivo — um assunto privado, melhor não discutido em público —, mas as coisas podem dar errado, mesmo com todo o dinheiro e acesso do mundo, mesmo quando tudo, do lado de fora, parece perfeito. Compartilhar essa verdade se tornou algo importante para ela. Ela diz que não se arrepende de nada e que definitivamente quer ter pelo menos mais um filho — talvez mais. Pretende ir “um filho de cada vez”. Porque as coisas também podem dar certo. O parceiro, de repente, a vê como: “Minha mulher é uma deusa. Uma super-heroína. Eu jamais conseguiria.” Ela sorri. “Pelo menos foi assim comigo.” Justin, sobre a transformação de casal em família de três: “Estou vivendo os dias com que sempre sonhei.”
A MATERNIDADE TE LEVA AO LIMITE, Hailey percebe agora. Ela trabalhou sua saúde mental como quem exercita um músculo. Começou com uma nova terapeuta, se aprofundou nos próprios sentimentos, tomou cápsulas de placenta (que dizem ajudar a prevenir depressão pós-parto), e continua tomando as vitaminas pré-natais até hoje. Sentiu os “altos muito altos e baixos muito baixos” e enfrentou a montanha-russa dos hormônios. Foi difícil: ela nem sempre reconhecia seu corpo e lutou contra a dismorfia corporal pós-parto, uma forma de “auto-ódio” que nunca havia experimentado antes, como conta. Em seus piores momentos, ela vasculhava comentários cruéis na internet em busca de validação — confirmação de que estava tão mal quanto se sentia — e depois ficava deprimida por encontrá-los, e com raiva de si mesma por ter procurado.
“Todos os dias eu tenho que conversar comigo mesma, tipo: Hailey, você teve um bebê”, diz ela. “Você gerou um ser humano. Você deu à luz um ser humano. Está tudo bem. Seja gentil com você mesma. Dê tempo ao tempo.”
Seu corpo sempre foi uma ferramenta com a qual ela teve uma boa relação, graças a uma alimentação saudável, genética favorável e um amor natural por exercícios. Mas demorou mais do que esperava para perder os cerca de 7 kg finais da gravidez — o que ela conseguiu, com muito esforço, trabalhando com uma equipe de especialistas nos “fundamentos”, como ela diz: tudo, desde o assoalho pélvico até o realinhamento da coluna e do core. Ela teve que aceitar que, assim como seu eu emocional, seu eu físico nunca será exatamente o mesmo.
“Quando as pessoas falam sobre ‘voltar ao corpo de antes’ — voltar pra onde, exatamente? Porque meus quadris estão mais largos, meus seios estão realmente maiores do que eram antes. Eles não voltaram. E tudo bem, eu aceito isso, mas não é o mesmo corpo de antes”, diz ela. “Você não é a mesma pessoa que era antes. Você muda da cabeça aos pés. E acho que teve um momento em que eu fiquei super obcecada com a ideia de voltar ao que eu era. E aí precisei passar por esse processo de aceitação: eu não vou voltar. Então a pergunta é, como quero seguir em frente? Quem quero ser?”
Quem ela é hoje, essa versão que caminha com força rumo ao futuro, é alguém de quem ela se orgulha. “Gosto muito mais de quem eu sou agora do que já gostei antes”, diz ela. A palavra que mais surge durante nossas conversas é força. Ela sente essa força, agora que é mãe.
“Vem uma leveza com isso, uma confiança”, diz ela. “Você realmente começa a ligar menos para tanta coisa. Você pensa: eu não tenho tempo, na verdade. Eu não tenho energia.”
Ela tem Jack para cuidar, um bebê que depende dela todos os dias, cujo sorriso lembra o Natal. (“Todo mundo te fala isso”, ela diz, sobre o clichê do Natal, “mas é realmente verdade.”) “Ele é minha prioridade. Ele é a coisa mais importante pra mim.”
Digo que parece que a maternidade a manteve com os pés no chão. “Tem sido meu maior professor até agora”, ela responde, “o maior professor no meu relacionamento também. Você passa a ver seu parceiro de uma forma completamente diferente.” Justin é um pai incrível, ela acrescenta, um natural. “Acho que você passa a ter muito mais empatia pelos seus pais. Vem muita perspectiva junto com isso.”
No fundo, Bieber é “consoladora… quase maternal”, diz sua amiga e parceira frequente de treinos, Kendall Jenner.
Ter perspectiva também significa enxergar a longo prazo: ela desistiu de tentar convencer quem tem uma visão errada sobre ela. (Justin escreve que Hailey é um alvo fácil: “Ela está sob os holofotes, tem atenção por causa do estilo natural, talento para negócios, arte e moda. E pelo jeito como faz parecer fácil ser mãe e esposa.”)
“Sinto que lutei tanto para que as pessoas me entendessem, soubessem quem eu sou, me vissem de verdade. E às vezes as pessoas simplesmente não querem”, diz Hailey. “E não tem nada que você possa fazer quanto a isso. Já estive na posição de tentar contar meu lado da história ou corrigir uma narrativa ou dizer a verdade sobre uma mentira, e aí dizem: ‘Ela está mentindo’. Imagina o quão sufocante isso é.”
Hoje, ela começou a ouvir quando as pessoas próximas dizem para ela deixar pra lá, sair dos comentários, ignorar tudo. “Aprendi muito com o Justin, de verdade. Ele faz isso literalmente desde criança e teve que lidar com mais escrutínio do que qualquer pessoa que conheço. Ele dizia: ‘Amor, confia em mim, já estive aqui muitas e muitas vezes. Você não vai vencer. Não existe vitória.’”
Isso ajuda, ela diz, porque seu casamento é forte, ela está feliz, seu marido a ama, e ama a família deles. “Não é real”, ela diz sobre a maior parte do que se escreve a seu respeito. “E essa é a questão: eu tenho uma vida real. Minha vida real é acordar com minha família linda, meu filho, meus amigos. Tenho pessoas que me conhecem e me amam, e que eu amo também.”
Chegar até aqui exigiu muita terapia, e falar sobre isso ajuda. “Sou esse tipo de pessoa”, ela diz. “Sou uma processadora. Se eu conseguir falar em voz alta e processar, geralmente consigo encontrar as respostas por mim mesma.” Ela sinaliza para a segurança do restaurante que terminamos, e eles começam a se movimentar.
“O pós-parto é o momento mais sensível que já vivi na vida, e aprender essa nova versão de mim é muito difícil”, diz. “E ter que fazer isso enquanto entra na internet todo dia e as pessoas dizendo: ‘Eles vão se divorciar’, ‘Eles não estão felizes’: É um verdadeiro nó na cabeça. Não consigo nem começar a explicar. É uma vida maluca de se viver.”
“Gosto muito mais de quem eu sou agora do que já gostei antes”, diz Bieber.
Hailey encontrou algum consolo em uma frase dita por Ariana Grande, que rebateu críticas sobre seu corpo e perda de peso para o papel em Wicked dizendo que não “aceita mais isso em seu espaço”. “Foi tão verdadeiro pra mim quando ela disse isso. Estou em um momento em que simplesmente não aceito mais. Eu não permito mais. Não precisamos permitir que certas coisas entrem no nosso espaço se não quisermos.”
Algumas coisas ainda escapam. Ela não entrega completamente as redes sociais a um assistente — edita os próprios vídeos do TikTok —, mas estabelece limites e evita espaços que sabe que não fazem bem, controlando o que está ao seu alcance.
Isso infelizmente não inclui os paparazzi. Precisamos desviar de um grupo de sete ou oito homens, rostos escondidos atrás de câmeras gigantes, para chegar até seu SUV esportivo e impecável. Hailey então dirige até a comunidade residencial fechada onde ela e Justin vivem há cinco anos. Lá, damos uma volta por um parque bem cuidado, cercado por mansões. No centro, um parquinho vazio. “Acho que quando o Jack for maior vai adorar isso aqui”, ela diz. Os Biebers até agora mantiveram o filho longe da mídia, sempre ocultando o rosto dele nas fotos. Passeios em família são raros. “A gente não leva ele pra muitos lugares. Não queremos que… Enfim, é só ver como tudo é invasivo. Parece cruel expor um bebê a isso.”
Quase como num roteiro, uma jovem na casa dos 20 anos — que diz morar no bairro — aparece no caminho e se aproxima do banco de piquenique onde estamos sentadas, pedindo uma selfie. Hailey, pela terceira vez em poucas horas, atende gentilmente. Quando a jovem vai embora, Hailey ergue as sobrancelhas impecáveis (ela é cliente da empresária de sobrancelhas Anastasia Soare, que, convenientemente, também é vizinha).
“É a primeira vez que isso acontece aqui na vizinhança.”
Pra ser justa, quase não há movimentação por ali.
“Antes, eu não era nada confrontadora”, diz Bieber. “E agora, sinto que estou muito mais clara sobre o que funciona ou não pra mim, tipo: ‘Ei, isso não serve pra mim.’”
No fundo, Hailey é caseira — “acolhedora… quase maternal”, diz Kendall Jenner, sua parceira frequente de treinos e uma de suas melhores amigas desde que se conheceram em um tapete vermelho em Nova York, em 2012. “Sou meio hipocondríaca”, diz Jenner, “e, se algum dia eu entrava em pânico com algo, ela vinha e simplesmente cuidava de mim.” (Kendall também a descreve como “engraçada”, “afiada” e “sábia além da idade.”)
Pergunto a Hailey o que ela faz no tempo livre, para se divertir, reconhecendo que para a maioria das pessoas é colocar os pés pra cima e rolar o feed. Ela ri, quase surpresa.
“Fico tipo: caramba, o que é diversão pra mim?”
Ela gosta de cozinhar, especialmente agora que Jack está começando a comer alimentos sólidos e ela pode experimentar receitas. “Fiz umas bolinhas de donut de banana com três ingredientes outro dia, e ele ainda não pode comer, mas pensei: ‘Você vai amar isso quando tiver dois anos!’”
Ela adora sair para jantar com as amigas, ou ter noites de encontro com Justin. E embora confessem aquele amor típico de casal jovem pelo app de delivery Postmates, também são do tipo que recebe uma galera em Palm Springs durante o Coachella, como fizeram em abril (ela usou um minivestido sem costas e um novo tom do lip tint da Rhode; ele usou seus típicos shorts largos e uma cara fechada pros paparazzi).
Cuidar do corpo é uma parte importante da vida dela. Ela segue uma rotina rotativa de treinos de força (“Gosto de ter bumbum”), aulas de escultura e pilates (tanto o aquecido quanto o reformer), sauna e banho gelado, yoga, quiropraxia, exercícios respiratórios e alongamento, além de tratamentos como limpeza de pele, massagens e microagulhamento.
Fora tudo isso, ela gosta mesmo é de ficar em casa — seja ali, na residência principal, ou no refúgio recém-reformado no deserto de Palm Springs. É famosa entre os amigos por quase sempre ser a primeira a terminar as séries do momento.
“Sou uma pessoa caseira. Nossa casa é o meu lugar, meu santuário. É onde está meu coração, com certeza.”
É onde ela se sente segura — algo que ela me diz várias vezes ao longo do nosso dia juntas.
Bieber diz que com certeza quer ter pelo menos mais um filho, e pretende levar isso “um bebê de cada vez.”
Isso poderia soar como algo limitante — uma mulher de vinte e poucos anos confinada aos terrenos de suas casas protegidas por portões e seguranças por medo da exposição pública. Mas não é isso, não de verdade. Ela tem estado ocupada explorando seu mundo interior, agora que Jack escancarou tudo.
“Eu choro muito mais do que antes.”
Ela está trabalhando em permitir-se ser vulnerável, “sentir o que estou sentindo, não estar bem, e conseguir realmente expressar isso e me sentir segura com minhas amigas para simplesmente dizer: ‘Hoje eu tô surtando.’”
“Antes, eu não era nada confrontadora. Era difícil expressar quando algo me incomodava ou quando as pessoas ultrapassavam meus limites. E agora sinto muito mais clareza para dizer: ‘Ei, isso não funciona pra mim.’”
(“Vejo isso nela todos os dias”, confirma Jenner. “Tem sido lindo de acompanhar.”)Levantamos do banco e Hailey nos leva de volta para sua casa, que fica atrás de mais um portão e tem um estilo que um corretor de imóveis de Los Angeles provavelmente chamaria de “fazenda moderna” — embora seja difícil imaginar uma fazenda grande o suficiente para justificar essa designação. A entrada da garagem está entupida de carros: SUVs pretos, modelos esportivos mais chamativos em cores fluorescentes. Lá dentro, ouvimos a voz muito familiar de alguém cantando. Ela para antes de abrir a porta da sala:
“Esqueci que o Justin está gravando”, diz, abrindo a porta só um pouquinho para que seus dois yorkshires loiros, Piggy Lou e Oscar, possam sair. “Senão eu diria pra gente ficar confortável.”
Ela tira as sapatilhas pretas envernizadas com salto quadrado da Repetto no corredor, à vontade, tranquila, com um dos cachorros no colo e o resto do dia livre para relaxar e brincar com o filho. Justin continua cantando lá dentro. Ela sorri ao ouvir o som — uma felicidade particular. Isso me faz lembrar de algo que ela disse mais cedo, no parque, quando perguntei se achava que essa obsessão odiosa sobre ela e seu casamento algum dia diminuiria.
“Bom, achei que depois de sete anos já teria diminuído, e não diminuiu. Você pensaria que depois de ter um filho as pessoas talvez seguissem em frente, sossegassem um pouco, mas não”, ela dá de ombros com um sorriso irônico de Quem, eu?:
“Então acho que essas vadias vão continuar irritadas.”—
Nesta matéria: cabelo por James Pecis; maquiagem por Hannah Murray; alfaiataria por Gayane Mnatsakanyan. Produzido por AP Studio, Inc. Design de cenário: Colin Donahue.
Fonte: Vogue